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Arquivo para a categoria ‘Lenine’

Maria Rita – Música Inédita – Heróis da Liberdade

O excelente blog do Mauro Ferreira em http://blogdomauroferreira.blogspot.com/ acabou de divulgar a existência de mais uma gravação inédita de Maria Rita, veja a matéria na integra abaixo:
Resenha de CDTítulo: Aula de Samba – A História do Brasil através do Samba-EnredoArtista: Alcione, Chico Buarque, Dona Ivone Lara, Emílio Santiago, Fernanda Abreu, Leci Brandão, Lenine, Maria Rita, Moska, Simone, Toni Garrido e Zélia DuncanProdução: Mart’náliaGravadora: Biscoito FinoCotação: * * *
Um dos mestres do samba-enredo, Martinho da Vila o tornaria menos caudaloso e arrastado nos anos 60 sem descaracterizar o gênero, cujas tradições soube reverenciar ao gravar em 1980 o álbum Samba Enredo. Mart’nália aprendeu a lição em casa e a seguiu com fidelidade ao produzir o bom CD Aula de Samba, idealizado por seu irmão Martinho Filho. A boa idéia foi fazer um disco de caráter educativo com regravações inéditas de sambas-enredos que (re)contem em suas letras passagens da História do Brasil. Para tal, a filha de Martinho convocou time de intérpretes formado por Chico Buarque, Maria Rita, Moska, Simone e outros.É difícil dissociar Aula de Samba do disco em que Martinho da Vila regravou 12 sambas-enredos históricos em todos os sentidos. Mesmo porque cinco dos onze sambas selecionados por Mart’nália estiveram no repertório do LP lançado por Martinho em 1980. Foi copiando a lição de seu pai que Mart’nália tirou do baú jóias como Benfeitores do Universo, o samba defendido em 1953 pela escola Cartolinhas de Caxias, uma das agremiações de Caxias (município da Baixada Fluminense, RJ) que deram origem à Grande Rio, hoje no Grupo Especial. Coube a Zélia Duncan gravar o obscuro samba.Muito desanimado, Chico Buarque abre o disco com Exaltação a Tiradentes (Império Serrano, 1949), dando uma aula de como não se cantar samba-enredo. Faltou a Chico o entusiasmo que regeu as boas gravações de Leci Brandão (Dona Beja, a Feiticeira de Araxá – Salgueiro, 1968) e de Moska (Dia do Fico – Beija-Flor, 1962) para citar apenas dois exemplos de faixas mais empolgantes. Contudo, Chico não é o único culpado por sua aula ser bastante enfadonha. Mart’nália parece ter produzido o disco sem pressão… Até mesmo nomes que já gravaram sambas-enredos com animação soam sem a força habitual. Casos de Fernanda Abreu, que defende Os Sertões (Em Cima da Hora, 1976) – aliás, uma aula de como se fazer samba-enredo – e de Simone, intérprete de Aquarela Brasileira (Império Serrano, 1964), samba que está mais para uma aula de geografia…Mestre dos sambas de enredos históricos, Silas de Oliveira (1916 – 1972) é não por acaso o compositor mais presente no repertório. Além de Aquarela Brasileira, Silas tem seu nome entre os autores de Heróis da Liberdade (Império Serrano, 1969) – um clássico do gênero revivido por Maria Rita – e de Os Cinco Bailes da História do Rio (Império Serrano, 1965), que reaparece na voz nobre da co-autora Ivone Lara (em dueto com o deslocado Toni Garrido).Nem todos os compositores, entretanto, eram mestres como Silas. E o fato é que alguns sambas, embora sejam irretocáveis do ponto de vista melódico, esboçam versões idealizadas de passagens da História do Brasil. Exemplo é o retrato retocado de Getúlio Vargas (1882 – 1954) esboçado em O Grande Presidente (Mangueira, em 1956), samba de Padeirinho revivido na voz de Alcione. Outro é a visão simplista da abolição da escravidão apresentada em Sublime Pergaminho (Unidos de Lucas, 1968) pelo sempre afinado Emílio Santiago. No todo, o CD é oportuna aula de como fazer um samba-enredo que já não se faz mais. Basta (re)ouvir com Lenine Onde o Brasil Aprendeu a Liberdade (Unidos de Vila Isabel, 1972), belo clássico de Martinho da Vila, para comprovar que Mart’nália nem precisou sair de casa para aprender a sua lição de samba-enredo
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